Teste do Panetone – portal IG

O teste do panetone

Especialistas avaliaram seis marcas populares. Visconti e Bauducco ficaram no topo do ranking com as melhores notas

Marcela Besson, IG São Paulo | 18/12/2010 10:00

Das seis marcas testadas, Visconti e Bauducco receberam as maiores notas
Foto: Tricia Vieira / Fotoarena

Das seis marcas testadas, Visconti e Bauducco receberam as maiores notas

A extensa oferta de panetones nas prateleiras das lojas tende a deixar o consumidor confuso. Que panetone levar para casa? O iG Comidarealizou uma degustação às cegas com quatro especialistas para descobrir qual a melhor entre seis marcas conhecidas e de circulação nacional. Uma delas possui pontos de vendas próprios em cidades do Brasil e as outras cinco estão disponíveis em supermercados, padarias e lojas de departamento.

Sentaram-se à mesa Alessandra Blanco, editora executiva do Portal iG e autora do blog Comidinhas; Rogério Shimura, chef de padaria do restaurante D.O.M.; Marcella Lage, sócia-proprietária e confeiteira da doceria Wondercakes; e Lúcia Soares, professora de panificação da Universidade Anhembi Morumbi. No dia do teste, os produtos ficaram à espera dos avaliadores fora de suas caixas e em ordem aleatória, para não serem identificados – nenhum dos jurados teve acesso antecipado aos nomes das marcas selecionadas. Os panetones só foram retirados das respectivas embalagens plásticas no exato momento da degustação, para que não perdessem umidade.

Com notas de zero a 10, o júri avaliou sete características. Primeiro, o aspecto visual de cada panetone. O quesito recebeu peso 1 na composição da nota. Aroma, textura, quantidade das frutas, qualidade das mesmas e umidade da massa receberam peso 2; e sabor, peso 3. Os panetones da Visconti e da Bauducco levaram a melhor e o resultado da votação apontou o que poderíamos chamar de empate técnico entre as marcas. “O da Bauducco apresentou cor uniforme, boa textura e ótimo sabor. O da Visconti estava aromático e com sabor bastante agradável”, anotou Shimura.

Em segundo e terceiro lugares ficaram os da Casa Suíça e da Nestlé, respectivamente. O panetone da Kopenhagen teve a pior nota. Vale lembrar que ele era o mais caro entre as marcas testadas – 44,90 reais, mais de quatro vezes o valor do primeiro colocado. “A massa estava com aspecto cru, pouco aromática e desprovida de sabor”, afirmou Marcella.

No balanço final, pairou um clima de descontentamento e frustração entre os jurados. Segundo eles, as marcas não atingiram níveis de excelência e todas incorreram no mesmo problema: a falta de frutas na massa. “Elas são escassas, quase não dá para vê-las”, afirmou Lúcia Soares. Por isso, não se iluda com as embalagens que mostram fatias salpicadas de frutinhas. A aparência murcha e desestruturada de alguns panetones também gerou reclamações. Na avaliação de Shimura, a culpa pode ser de um ingrediente chamado amido modificado: “Ele ajuda a conservar a umidade da massa e, assim, estende o prazo de validade do produto. Mas quando usado em excesso, deixa a massa pesada e sem estrutura”, explicou. Confira abaixo o ranking da avaliação.

Foto: Tricia Vieira / Fotoarena

Panetone Visconti

1º lugar: Visconti
Nota*: 7,94 pontos
Preço: R$ 9,99 (500g)

“Esse parece mesmo panetone. Crescido,
com boa aparência e suave.”
(Alessandra Blanco)

“Aromático e com sabor bastante agradável.”
(Rogério Shimura)

Foto: Tricia Vieira / Fotoarena

Panetone Bauducco

2º lugar: Bauducco
Nota: 7,72 pontos
Preço: R$ 11,99 (500g)

“Embora a massa seja um pouco densa,
apresenta boa aparência e aroma bem
agradável. Sabor suave.”
(Marcella Lage)

“Úmido, com bom aroma, textura satisfatória e
muito saboroso.”
(Alessandra Blanco)

Foto: Tricia Vieira / Fotoarena

Panetone Casa Suíça

Casa Suíça
Nota: 5,78
Preço: R$ 10,48 (500g)
“Úmido, mas parece que não assou direito
ou não cresceu muito.”
(Alessandra Blanco)

“Pouco aromático e desprovido de frutas.”
(Rogério Shimura)

Foto: Tricia Vieira / Fotoarena

Panetone Nestlé

Nestlé
Nota: 4,99
Preço: R$ 11,99 (500g)
“As passas amargas comprometem o sabor final.”
(Rogério Shimura)

“Poucas frutas, um pouco seco, mas o sabor é
melhor do que esperava julgando pela
pouca umidade e aparência.”
(Alessandra Blanco)

Foto: Tricia Vieira / Fotoarena

Panetone Village

Village
Nota: 3,35
Preço: R$ 7,38 (500g)

“Miolo denso e seco e frutas sem sabor.”
(Marcella Lage)

“Muito seco, aparência ruim e aroma
excessivo de álcool.”
(Rogério Shimura)

Foto: Tricia Vieira / Fotoarena

Panetone Kopenhagen

Kopenhagen
Nota: 1,49
Preço: R$ 44,90 (500g)
“Aparência pesada e aroma ácido. Depois
de cortado, o visual é ainda pior.”
(Alessandra Blanco)

“Primeiro, é preciso aprender a fazer panetone.
Só depois é que se pode criar versões.”
(Rogério Shimura)

*Média final das notas atribuídas pelo júri

fonte:http://natal.ig.com.br/o+teste+do+panetone/n1237881491909.html

Que tal uma máquina de fazer pão? Nós testamos

Quebra-cabeça. O padeiro Shimura (no centro) demorou para entender o manual e perdeu seis fornadas

 Equipe D.O.M. Restaurante

 

As panificadoras automáticas ou, se preferir, máquinas elétricas caseiras de fazer pão estão cada vez mais comuns nas prateleiras das grandes redes de eletrodomésticos. As três marcas mais encontradas no mercado – Arno, Mondial e Britânia – foram testadas, a pedido do Estado, pelo padeiro do restaurante D.O.M., Rogério Shimura, que também é professor da Universidade Anhembi Morumbi.

Apesar de semelhantes, as máquinas tiveram desempenhos diferentes. Para Shimura, “a La Baguette, da Arno, faz o melhor produto”. No entanto, todas fizeram o padeiro e sua equipe quebrarem a cabeça para operá-las. Foram três tentativas para cada máquina até que as instruções dos manuais fossem compreendidas. E as duas primeiras fornadas de cada eletrodoméstico acabaram no lixo.

“O primeiro erro foi cometido porque a quantidade de farinha indicada no manual estava em mililitros e não gramas”, afirma. “Os manuais da Mondial e da Britânia pediam cerca de 960 ml de farinha. Não percebi e coloquei quase um quilo”, diz Shimura. Se tivesse convertido a medida do manual, ele teria usado apenas metade da quantidade de farinha que colocou na máquina. “A medida deveria estar em gramas para não induzir ao erro”, comenta.

O manual da Arno tem letras grandes e é mais detalhado. “Nele, há uma lista dos problemas que podem aparecer e dicas de como resolvê-los.” Para o padeiro, no entanto, a máquina perde na estética do produto final. “O pão não fica uniforme. E, por isso, o da Mondial e da Britânia ganham em beleza.”

Cuidados. Em segundo lugar na avaliação ficou a Britânia e, em terceiro, a Mondial. “A última não bate tão bem os ingredientes e sobra farinha na forma.” A integração do glúten – um dos componentes da farinha – com a água e a ação mecânica do bater dão a estrutura do pão. “Se o processo não é bem feito, o pão fica a desejar.” Shimiro ainda orienta o consumidor a tomar cuidado com a cesta interna da máquina. “Ela aquece muito. Para tirá-la, é necessário uma luva térmica.”
AS DIFERENÇAS
Arno LaBaguette: Tem forma antiaderente de 1,5 kg e 14 programas diferentes. O programa mais rápido é de 1h20 e o mais longo, de 3 horas. O manual pede 6 gramas de fermento seco na massa. Shimura diz que é muito. Aconselha a metade disso. “Se você coloca muito fermento, em qualquer massa, o pão fica com gosto e cheiro de fermento, ou seja perde sabor e aroma.”
Panificadora Premium Mondial: Design moderno, forma antiaderente e 12 programas de preparo. É o manual escrito com as menores letras. Os medidores que equivalem a colher de chá e de sopa vieram invertidos. Também falta unidade de medida na quantidade de fermento que a receita determina no manual. Ele indica apenas que são duas colheres.

Multipane Britânia: Com 12 programas, faz quatro tamanhos de pães, com até 1,2 kg e três ajustes de cor. Segundo o padeiro, a máquina faz um bom pão, mas ele cresce menos que o da Arno, por isso teve nota mais baixa. O modo mais rápido leva 50 minutos. Segundo Shimura, é pouco tempo. Como as outras máquinas, a massa fica melhor na programação longa.

fonte: Estadão

 

Matéria de 18/09/13 na FOLHA COMIDA sobre Panificadoras Automáticas clique AQUI.