Blog do Chef | Rogério Shimura

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Posts de Junho, 2009

SPFW – São Paulo Fashion Week – Verão 2010- Paixão por Conhecimento

Publicado por Rogério Shimura em Junho 26, 2009

Por Bel Moherdaui – 18:43 | Enviar Comentário

 

 

  19 de junho de 2009

http://veja.abril.com.br/blog/bel-moherdaui/

 

Quer provar?

 

 

Panificador dos restaurantes D.O.M. e Dalva e Dito, Rogerio Shimura, professor de panificação da Anhembi Morumbi, esteve na Bienal demonstrando sua técnica, que utiliza um fermento de 158 anos.

Fermento é como vinho, quanto mais velho, melhor? É. Grandes padarias têm seus fermentos, que em geral passam de geração para geração.

De quem você herdou o seu? De um ex-aluno. Achou que estaria em melhores mãos comigo.

Como conservar um fermento centenário? Esse é nosso segredo. Mas posso dizer que temos que alimentá-lo todo dia, como se fosse uma criança, um filho.

Onde ele fica? No restaurante, mas tenho um back up em casa. Ganhei 10 gramas e hoje tenho 40 quilos. Fazemos pão todo dia lá no D.O.M. e uso uma parte para alimentar o fermento. Faço 10 quilos de massa e uso 5, o resto é dele.

O que você faz se precisa viajar ou se ausentar por algum motivo? Levo ele comigo. Tenho uma amiga chef que passa seis meses no Brasil, seis meses no Japão, e sempre leva o dela nas viagens.

Mas pode entrar no avião? Na verdade, não. Vai escondido. Esse aluno mesmo trouxe quatro envelopes na mala e um no bolso. Só o do bolso escapou.

Cheira muito mal? Que nada!

Que diferença ele faz no sabor do pão? Fica um pouco mais ácido, muito gostoso.

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Desperdício zero – Coluna Paladar – Estadão

Publicado por Rogério Shimura em Junho 7, 2009

Desperdício zero

Eles até poderiam ficar juntos, mas café não se mistura com chá. Lado a lado, o chá absorve os aromas potentes do café. O azeite gosta de tampa sempre limpa e não suporta luz. A seguir, dicas de como preservar a vida dos ingredientes

Uma garrafa de vinho, uma lata de azeite, uma caixa de massa, um pacote de café. A maior parte dos alimentos e bebidas começa a perder aromas, sabores e nutrientes assim que entra em contato com o ar. Não dá para deter a oxidação por completo, mas é possível minimizar os danos e garantir que muitos produtos tenham uma sobrevida maior – e de qualidade – com alguns truques básicos de conservação. Conservar, aliás, é a nova tendência gastronômica nos países ricos. Na Catalunha, institutos de pesquisa uniram-se à Fundação Alicia – Alimentació i Ciencia para estudar métodos de prolongar a vida útil de ingredientes. Ferran Adrià é um dos consultores do movimento. Empenhado em descobrir a maneira ideal de manter os alimentos em sua melhor forma pelo máximo de tempo, Paladar falou com especialistas de diferentes áreas. E apresenta as melhores dicas para guardar o que fica na despensa ou vai à geladeira. 

Vinho. O escritor Robert Louis Stevenson costumava dizer que vinho é poesia engarrafada. Pena que, ao contrário dos grandes textos, o tempo de duração dos vinhos é curto. Eles começam a perecer assim que a garrafa é aberta. “Quando o vinho é desarrolhado, aromas se modificam, os mais voláteis somem e alguns ficam mais intensos, mas os mais complexos se perdem pouco tempo após a abertura da garrafa”, diz Susana Jhun, professora do curso Tecnologia em Bebidas da Universidade Anhembi Morumbi. Sobrou vinho, tampe bem a garrafa com a rolha e deixe na geladeira por até dois dias, mas tenha em mente que os aromas já se modificaram. O ideal é usar o vac-au-vin. Ele lembra um sacarrolhas e vem com um tampão de borracha que veda a garrafa depois de sair o ar, o que permite conservar a bebida por até 1 semana. Aí é só manter a garrafa na geladeira ou na adega climatizada.

 

Chocolate. Você está sofrendo com o calor? Seu chocolate também. Extremamente sensível a altas temperaturas, chocolate precisa ser mantido em ambiente fresco, seco e de pouca luminosidade. Outra recomendação importante é guardá-lo longe de produtos com cheiro forte, como café, por exemplo. Para preservar a textura e o sabor em dias muito quentes a dica é enrolar a barra em filme plástico, guardá-la na geladeira e tirá-la alguns minutos antes de consumir – 10 a 20 minutos, dependendo da temperatura ambiente. Quando for usar esse método, tenha cuidado para não expor o chocolate a mudanças bruscas de temperatura. “O ideal é evitar pôr na geladeira, mas se for realmente necessário, a dica é colocar numa embalagem isolante térmica – caixa de isopor serve – antes de levar ao refrigerador”, ensina Bibiana Schneider, da Cuore di Cacao (41-3014-4010). No verão, o chocolate se dá bem em adega climatizada com temperatura em torno de 18°. Ah, e chocolate recheado dura bem menos. Tente comprar só o que for consumir logo.

 

 

Chá. Para os ingleses, a tarde divide-se entre antes e depois da hora do chá. Os japoneses fizeram dele o protagonista de um ritual milenar, de beleza incomparável. Aqui no Brasil ele não desfruta da popularidade do café, do qual, aliás, precisa manter distância, mas tem seus súditos. E para eles, Carla Saueressig, da Tee Gschwendner -Loja do Chá, explica como prolongar seus aromas e sabores: – Em primeiro lugar, mantenha seu chá longe de alimentos de odor forte. Ele é muito delicado e absorve cheiros indesejáveis com muita facilidade. – Olhe a data de validade. Alguns indicam 5 anos, mas o chá dura no máximo 2 anos. – Proteja a erva da umidade, em potes bem fechados (dentro ou fora da embalagem). A umidade favorece a proliferação de fungos. – Chá não pode ficar exposto à luz e precisa ser mantido em local fresco.

Cereais. Esqueça os prendedores de roupa ao guardar macarrão, farinha, aveia… Cereais e derivados devem ser armazenados em potes hermeticamente fechados. “Usar prendedor para lacrar a embalagem não serve, pois ele não veda o suficiente”, garante Gina Maria Bueno Quirino Cardozo, do Ital (Instituto de Tecnologia de Alimentos). Manter os cereais embalados evita a proliferação de insetos, como os indesejáveis coleópteros, responsáveis por deixar aquela farinha alvíssima toda carunchada. Então, após aberto o pacote, o ideal é transferir o restante do cereal para um pote bem fechado e guardar em local fresco e arejado, sem nenhuma umidade.

Queijo. É um universo vasto, com mais de 10 mil anos de história e duas regras bem definidas: queijos frescos vão para a geladeira; duros e semiduros ficam melhor se conservados em temperatura ambiente. “Queijos são comercializados há pelo menos 5 mil anos. Se dependessem de refrigeração, não teriam sobrevivido como produto”, diz Jair Jorge Leandro, maître fromager e autor do livro Queijos, do Campo à Mesa. Para manter a umidade e a cremosidade do laticínio, o especialista recomenda: – Queijo fresco deve ser mantido na parte baixa da geladeira, na própria embalagem ou em potes fechados. Sacos plásticos fechados, mas com ar para respiro, também podem ser usados. Não é necessário conservar o soro. – Queijos duros e semiduros ficam melhor se preservados em temperatura ambiente, cobertos com um pano úmido. – Queijos são muito suscetíveis a mofo, mas não é necessário jogar fora. Geralmente, o mofo ataca apenas a casca. Assim, basta limpar com um pano embebido em salmoura, tirar todo o fungo e deixar secar. – Todos os queijos, com exceção dos frescos, devem ser consumidos à temperatura ambiente.

 

Hortaliças. Nem sempre é possível consumir numa única refeição aquele pé de alface imenso. Como são extremamente sensíveis, alface, agrião, rúcula e outras folhas precisam de cuidados básicos para durar mais. Se a idéia é preservá-las por alguns dias, lave e, muito importante, seque bem. Quando as folhas estiverem sem vestígios de água, guarde em saco plástico ou em embalagens com tampa por até 4 dias. No caso de hortaliças hidropônicas, mantenha-as com as raízes imersas em água, em temperatura ambiente por um dia.

Ervas. Para conservar ervas aromáticas a dica é da herborista Sabrina Jeha, do Sabor de Fazenda (tel. 2631-4915). Salsinha, cebolinha e manjericão podem ser mantidos em temperatura ambiente por alguns dias desde que em copo ou vasinho, com os talos imersos em água. “Esse macinho, que lembra um buquê de flores, dura até uma semana, mas o importante é lembrar de não deixar as folhas em contato com água, para evitar que a erva apodreça”, diz Sabrina. Agora, se a idEia é conservar por muito mais tempo a salsinha, lave-a muito bem, pique fininho e ponha numa fôrma de gelo. Em seguida cubra com água filtrada e leve ao congelador. Quando quiser usar, basta degelar o cubo em uma peneira sob água corrente. Esse mesmo método também vale para conservar num saco plástico, do tipo ziplock. Só não esqueça a água, pois ela evita que a erva resseque durante o congelamento.

 

Azeite. Não há nada mais prejudicial às riquíssimas propriedades de um azeite extravirgem que a luminosidade. Marcos Pimentel, da Olivier & Co., ensina que é preciso armazenar o produto em local fresco, longe da luz, e consumi-lo em até 4 meses. Manter a tampa ou o bico dosador sempre muito limpo também é fundamental. “O resíduo de azeite que fica na biqueira ou na tampa da garrafa oxida rapidamente e contamina o restante”, diz Pimentel. Fazer a limpeza é simples: ferva o bico dosador em água com detergente neutro, tire do fogo, espere esfriar e esterilize a peça com álcool. Deixe secar bem. Troque a rolha da biqueira a cada 4 meses. Para limpar a tampa, basta retirar o excesso de azeite com papel toalha e limpá-la com uma mistura de água e álcool. O ideal é conservá-lo em recipientes de cerâmica ou lata. Em regiões onde a temperatura chega aos 30° o azeite pode ser guardado na parte baixa da geladeira e tirado do frio 20 minutos antes de ser usado.

Pão. Todos os pães perdem umidade em contato com o ar. Mas o destino mais cruel foi reservado ao pão francês: duas horas após sair do forno, ele murcha e o miolo começa a se tornar uma massa sólida e disforme, como explica Rogério Shimura, professor de Confeitaria e Panificação da Universidade Anhembi Morumbi. O ideal é comer pão fresquinho. Mas quando sobrar, a saída é pincelar ou borrifar um pouco de água sobre ele e levá-lo ao forno (jamais ao micro-ondas). O caseiro pode ser embrulhado em um pano e mantido em local fresco e seco, ou em saco plástico. Ele dura mais em razão da quantidade de miolo – o responsável por manter a umidade natural do pão. Se não for consumir logo, congelar é uma opção. Não há perda de sabor, mas os cristais de água do congelamento podem manchar a casca.

 

Café. Notou que o café ficou longe, bem longe do chá e do chocolate até mesmo aqui na página? Pois é assim que ele deve ser mantido em casa, longe de alimentos sensíveis que possam absorver seu aroma potente e persistente. Feita a recomendação, a especialista Isabela Raposeiras, da Academia de Barismo (tel. 3375-7400) explica: “Café começa a oxidar 20 minutos após a moagem e com isso, os aromas mais ricos e voláteis se perdem.” Ela recomenda comprar e moer os grãos na hora do uso. “Além de o café ficar muito melhor quando o grão é moído na hora, esse pequeno ritual vai perfumar a casa toda”, diz. Mas a forma de conservar o café, moído na hora ou não, é a mesma: – Mantenha o café em pote hermeticamente fechado, na própria embalagem ou em outra. – Guarde-o na geladeira, pois em temperaturas mais baixas a oxidação é menor.

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A Deliciosa arte da panificação

Publicado por Rogério Shimura em Junho 7, 2009

A deliciosa arte da panificação

A toda hora e em qualquer lugar. A variedade das receitas de pães é imensa. A forma de preparo artesanal recupera técnicas antigas e aposta nos ingredientes integrais, agradando aos paladares mais exigentes

Publicado em 12/03/2009 | Juliana Vines

Doce, salgado, com grãos, caseiro ou recheado. Ninguém resiste em experimentar uma fatia de pão quentinho seja no café da manhã, no lanche da tarde ou como acompanhamento de um prato principal. É uma paixão mundial, que, em cada país, ganha novos sabores e ingredientes. No Brasil, o pão francês, campeão de popularidade, está tendo de dividir a atenção com receitas que, de uns anos para cá, conquistaram o gosto e a mesa de todos.

“Há 20 anos as pessoas iam até a padaria comprar quase que exclusivamente o pão francês. Não se ouvia falar em ciabatta, por exemplo. Hoje as pessoas pedem, sugerem novos pães e experimentam mais os recheados e os enriquecidos. É uma tendência”, diz Adelino Farinha, proprietário da padaria e confeitaria Família Farinha.

Fotos: Alexandre Mazzo

Fotos: Alexandre Mazzo / Ampliar imagem  

 / Ampliar imagem Alexandre Mazzo

Alexandre Mazzo / Ampliar imagem Fotos: Alexandre Mazzo

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 / Faca para pão Spicy (acima), R$ 88, e faca para pão da Brinox, R$ 12, na Esfinge Ampliar imagem Marcelo Elias/GP

Marcelo Elias/GP / Tábua para Pão, R$ 98 Ampliar imagem Marcelo Elias/GP

Marcelo Elias/GP / Ampliar imagem Divulgação

Divulgação / Panificadora Prime – Britânia, R$ 369, na Americanas.com Ampliar imagem  

 / Bandeja Rattan pequena, R$ 49, na Studio Casa Ampliar imagem  

 / De cima para baixo, Broa Bauer, Italiano redondo, Minibaguete parmesão e minibaguete gergelim, Broa de nozes; pão de nozes, passas e mel Ampliar imagem  

 / De cima para baixo: 1 - Pão do padre, 2 - Sete cereais; broa de milho, 3 - Broa multicereais, 4 - Pão de azeite de oliva; pão d´água; pão francês, 5 - Pão de centeio; pão de leite, 6 - Pão de laranja; pão de ervas finas Ampliar imagem  

 / De cima para baixo: Multicereais, Pão hot dog, Broas de milho; brioche, Pão italiano, Pão de soja, Ciabatta Ampliar imagem  

 / De cima para baixo: Pão de mandioquinha; folhado de maçã e folhado de pêra, Pão rústico, Croissant, Pão de fibras, Broa de Milho; bretzel, Pain au chocolat, Pão italiano bisnaga, Brioche Ampliar imagem

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Faca para pão Spicy (acima), R$ 88, e faca para pão da Brinox, R$ 12, na Esfinge

Tábua para Pão, R$ 98

 

Panificadora Prime – Britânia, R$ 369, na Americanas.com

Bandeja Rattan pequena, R$ 49, na Studio Casa

De cima para baixo, Broa Bauer, Italiano redondo, Minibaguete parmesão e minibaguete gergelim, Broa de nozes; pão de nozes, passas e mel

De cima para baixo: 1 – Pão do padre, 2 – Sete cereais; broa de milho, 3 – Broa multicereais, 4 – Pão de azeite de oliva; pão d´água; pão francês, 5 – Pão de centeio; pão de leite, 6 – Pão de laranja; pão de ervas finas

De cima para baixo: Multicereais, Pão hot dog, Broas de milho; brioche, Pão italiano, Pão de soja, Ciabatta

De cima para baixo: Pão de mandioquinha; folhado de maçã e folhado de pêra, Pão rústico, Croissant, Pão de fibras, Broa de Milho; bretzel, Pain au chocolat, Pão italiano bisnaga, Brioche

Sempre fresquinho

Aprenda a conservar e a aumentar a durabilidade dos pães

> Pães escuros duram mais do que os feitos com farinha branca. Algumas receitas com cereais integrais podem durar até sete dias, se bem conservadas.

>Os fatiados têm durabilidade menor. Compre pães inteiros e fatie em casa.

>Comprou pão quentinho? Transporte apenas em sacos de papelão e, de preferência, não feche a embalagem. Isso evita que o pão umedeça.

>Não guarde os pães na geladeira, eles ressecam. Um local fresco e arejado é a melhor opção.

>É possível congelar os pães depois de prontos. Compre pães frescos, fatie e congele dentro de um saco plástico. Quando for consumir, retire apenas a quantia desejada e aqueça em forno elétrico, convencional ou na torradeira.

Fontes: Sandra Regina Sautchuk Puppi, chef e proprietária da Prestinaria; Rogério Shimura, chef boulanger professor do curso de Gastronomia da Universidade Anhembi Morumbi/SP.

Broa ou pão?

A broa é um pão português de formato redondo e achatado, que tem como ingredientes principais o fubá, o milho, a farinha de trigo e os ovos.

Em algumas regiões do Brasil cujas cidades tiveram forte influência alemã – como Curitiba –, pães redondos e integrais também são chamados de broa. “Isso porque o pão alemão mais tradicional, o rústico de centeio, é chamado de brot. Mas a broa original é a de milho”, diz Adelino Farinha, proprietário da panificadora e confeitaria Família Farinha.

Assim como cresce a procura por diferentes receitas, aumentam também as exigências quanto ao preparo e a escolha dos ingredientes. Os pães artesanais, feitos sem a utilização de pré-misturas, são cada vez mais valorizados. É uma retomada da tradição e do modo de fazer dos tempos do fogão a lenha. “A maioria das padarias que produzem em larga escala trabalha com a pré-mistura, que facilita a fabricação, mas também uniformiza os pães. Esse tipo de pão não tem como comparar com o artesanal e muitos já perceberam isso. As massas artesanais descansam em média 24 horas e existe um cuidado maior com a fermentação, muitas vezes natural. Dá para sentir o sabor dos ingredientes”, comenta Denise Carvalho, chef pâtissier e boulanger proprietária da Provence Boulangerie.

O modo de fazer artesanal e o uso de técnicas tradicionais trouxeram requinte à panificação. “Há um investimento na criação de grifes de pães. A tendência é recuperar receitas históricas e executá-las com técnicas avançadas e ingredientes únicos. Essa semana, por exemplo, recebi um fermento natural que tem 160 anos de idade e veio dos Estados Unidos. É algo único, esse é o conceito de grife”, afirma Rogério Shimura, chef boulanger, consultor e professor do curso de Gastronomia da Universidade Anhembi Morumbi, de São Paulo.

Pães do mundo

França, Itália ou Portugal? Ou seria Alemanha, Japão e Estados Unidos? Não é fácil identificar as maiores influências da panificação brasileira. “Temos de tudo um pouco, mas somos diretamente influenciados pela panificação européia – mais pela portuguesa e francesa. Em alguns locais, como o Rio de Janeiro, a influencia francesa é ainda maior. Em São Paulo predomina a portuguesa, mas também existem outras tendências, como o muffin (bolinho doce), que é inglês, mas foi muito difundido entre os norte-americanos”, explica o chef e proprietário do Fabiano Marcolini Alimentari, Fabiano Marcolini.

Na França, a boulangerie – como é chamada a arte de fazer pães – é muito forte. “Em cada quarteirão há três ou quatro boulangeries e quase todas trabalhando artesanalmente. O pão é parte do café, do almoço e do jantar deles”, diz Denise. O mais consumido é a baguete, que pode ser feita com farinha branca ou com cereais. “Lá tem se falado muito em grãos integrais e alimentos orgânicos. Eles usam semente de papoula e de girassol, linhaça, gergelim, aveia e painço para fazer o pão de seis cereais e acrescentam os grãos na própria baguete”, completa a chef pâtissier.

Na França, os folhados não são considerados pães. É chamada de viennoiserie, uma linha entre a panificação e a confeitaria. Nela entram os brioches, os croissants, o pain du chocolat e os amanteigados em geral. No Brasil não há essa distinção. São considerados pães inclusive as broas pequenas e grandes, de influência portuguesa. De Portugal também são os sonhos fritos, os pães doces e caseiros.

Já a panificação italiana tem como característica principal as massas rústicas e uma fermentação mais ácida e lenta. Os mais conhecidos são a ciabatta e o pão italiano de vários formatos. “É um pão mais seco e duro, feito para ser consumido com frios, como a mortadela e o presunto di parma”, afirma Marcolini.

As receitas com farinha escura são influência de países como a Alemanha e a Bélgica. E ainda tem os pães de forma americanos, os pães japoneses e os árabes. “Os europeus são os que mais comem pães no mundo, bem mais do que os povos da América do Sul. Ainda olhamos os pães como algo sem tanto requinte na alimentação. E não é. Pode ser um alimento completo, quando misturado com outros ingredientes, como nozes, milho, carnes e cereais”, explica Adelino Farinha.

Brasileirinhos

Nada mais brasileiro do que um pão francês. Isso mesmo, este pão é uma receita nacional e tampouco existe na França. “Os brasileiros que foram para a França na época da Primeira Guerra Mundial voltavam e descreviam os pães que encontravam por lá”, conta o professor Shimura. A receita nacional é derivada da baguete, mas, além de ser bem menor, o sabor também é diferente. “É um pão aerado, com a casca crocante, mas com o miolo mais macio do que a baguete. A receita foi adaptada para ser um pão individual para sanduíche, porque o brasileiro não gostava da ideia de ter um pão para dividir”, acrescenta Marcolini.

Além do francezinho, os pães de queijo e os pães mais macios – de leite, por exemplo –, são considerados típicos brasileiros. Apesar de não termos muitas receitas tradicionais, os pães internacionais foram adaptados ao paladar e ao clima brasileiro, ganhando novos sabores. É o caso da própria baguete, que aqui tem o miolo mais macio, e do pão italiano, menos seco. “As receitas sempre são adaptadas. Se aqui fizéssemos o pão como é na Itália, mais rígido, não teria saída”, diz Marcolini.

Saindo do forno

Fazer pão em casa é um ritual que envolve toda a família. A escolha da receita e dos ingredientes, os descansos da massa, o cheirinho de pão que invade todo o espaço e a refeição compartilhada depois de tudo pronto. “Chama as pessoas e traz boas lembranças. Faço em casa só para sentir esse cheirinho”, conta a chef Sandra Regina, proprietária da Prestinaria.

Todo mundo deve se lembrar de uma receita de família, daquelas que demoravam a tarde toda para ficar pronta e na qual a massa ficava coberta com um pano para esperar crescer. O resultado nunca é igual ao da padaria, mas pode ser tão saboroso quanto – ou até mais. “Existem receitas simples que podem ser feitas em casa e ficam muito boas. Não é difícil, só é preciso ter paciência”, pontua Farinha.

Que tal tentar? “As etapas de preparo quase sempre são as mesmas. Dá para criar a partir de uma receita e ir tentando novas combinações. Se vai farinha integral e você não gosta, tente misturar farinha branca ou centeio. Adicione gergelim, substitua a azeitona por pepinos em conserva ou a uva passa por damascos secos. Assim surgem novas receitas e o processo torna-se divertido”, convida Sandra Regina.

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